Doukyuusei ~Um Grande (Nada) Romance Romântico~

“Para o cardápio de hoje,
vós trago um dose de
suco de limão,
acompanhada de um lindo
prato vazio”

la-pelicula-de-doukyuusei-se-estrenara-a-principios-de-2016Doukyuusei (Colegas de Classe) é uma animação japonesa de 2016 produzida pelo estúdio A-1 Pictures e dirigida por Shouko Nakamura. Essa animação é uma adaptação de um mangá de mesmo nome, publicado em volume único em 2006, cujo autor se chama Asumiko Nakamura. Asumiko, também ficou responsável pela elaboração do roteiro do anime.

Doukyuusei (Classmates) conta a história de Hikaru Kusakabe (CV Hiroshi Kamiya) que, por algum motivo, apaixona-se pelo seu colega de classe Rihito Sajou (CV Kenji Nojima). Com isso, passamos a acompanhar a vida colegial desse par romântico, em meio a uma história… cheia de drama exacerbado… piadinhas engraçadinhas e clichés. Essa análise irá se focar na adaptação, em vez da obra original. Espero que escrever sobre isso, não seja uma tortura equiparável a do filme…

11Bem… antes de partirmos direto para os pontos negativos (que são muitos), vamos falar do que é interessante (o que se salva). O ponto positivo nessa obra seria a sua animação e arte, embora tenha as suas ressalvas. A animação é bem feitinha até. A sequência de quadros chega a ser bem fluída, embora os quadros secundários sejam algo, digamos, desleixado (acho que é uma palavra boa para isso). No entanto, isso não chega a passar uma sensação de estranheza.

A arte em si, em alguns pontos, parece que foi um “trabalho sujo”. Em cenários mais amplos, os detalhes são perdidos – talvez isso se explica pelo fato do tipo de arte-animação empregadas. Se bem que… em outras produções que foram utilizadas esse mesmo tipo de método,  ficou algo bom visualmente, como em Toki wo Kakeru Shoujo (confira aqui, meu texto sobre ele) — deixando os personagens parecidos com… bonecos? Figurantes aleatórios? Não tenho uma descrição adequada para isso. Ademais, tem cenas que parecem que foram feitas em flash. As cenas da escada rolante demonstram isso. No entanto, a arte, em geral, consegue ser boa, mas nada de excepcional.

A parte visual mais interessante nesse anime foi o uso de quadros em cima da animação,12 como se ele simulasse a sequência de quadros de um gibi. Isso deixou uma impressão visual bem intrigante. Além de contribuir para a fluidez, esse recurso da uma amenizada no timing cômico defeituoso que a obra apresenta (falarei disso mais adiante). Uma animação que pode servir de exemplo é a de Paprika, embora a mesma seja muito melhor trabalhada. Só fiz essa comparação para dar uma luz a vocês, leitores. Chegou a hora de tocarmos na história do negócio…

Bem… Doukyuusei tinha tudo para ser um romance interessante, no entanto, ele desperdiçou o que tinha para oferecer e seguiu pelo pior caminho possível. Poderia (queria, na verdade) dizer que o ritmo da obra foi o principal fator que gerou toda essa máquina de problemas. Mas a questão de ritmo foi um dos mínimos problemas, até porque, o ritmo se “estabiliza” depois dos seus primeiros vinte minutos.

Pois bem… em um romance romântico, o leitor ou telespectador (ou outro tipo de espectador que exista) tem que achar o par romântico carismático – nessa caso, o Kusakabe e o Sajou – para poder criar um mínimo de interesse pelas personagens. E como torna-las interessantes? Muito simples, a partir da construção de ambos: desenvolvimento, personalidade – justificando se necessário – e até mesmo, o visual.  Baseado nisso, aplicamos isso nessa obra…..Após fazermos isso, percebemos que essas personagens não se enquadram nesses requisitos básicos. Na verdade, eles, de longe, passam a ideia de que são personagens. A dupla mais parece ferramentas para expor fetiche para o respectivo público. O protagonista é o típico personagem que passa aquela imagem de “bad boy” preguiçoso e com iniciativa, ou seja, a parte ativa da relação. Enquanto o outro personagem tem a legítima cara (visual) e jeito de personagem de yaoi, isto é, a parte passiva da relação. Só com isso percebemos o direcionamento desse anime6

Além das personagens serem um zero quanto à personalidade (não cliché; fetiche), eles também são um zero para si mesmos, ou melhor, um zero para o romance. Em uma obra romântica qualquer há sempre um motivo para motivar os personagens criarem interesse entre si (seja por achar ele(a), atraente, bonita(o) ou por gostar do jeito dele(a)), todavia, isso não existe nesse filme. Bem o que você leu: NÂO EXISTE. O protagonista simplesmente se sente atraído pelo outro… por ter conversado com ele. O estopim não tem sentido nenhum. Além disto, a relação deles (que também é algo bem mal desenvolvido) não demonstra nenhum interesse.

Só fazendo um “pequeno” parênteses aqui, outra obra que lembra muito bem esse anime é o mangá de Citrus. Nele, acompanhamos o romance entre duas personagens (ou seja, um mangá do gênero yuri) que vão descobrindo a sua sexualidade (de um jeito mal feito, mas okay). Embora ele também apresente problemas de ritmo (e isso, realmente afeta o desenvolvimento da obra), um dos problemas que Citrus e Doukyuusei têm em comum é o motivo de acontecer o romance. De início, Citrus não apresenta um motivo sólido. No entanto, ele desenvolve isso a base de enrolação,  o que não é algo positivo, coisa que nem esse filme faz. Mas voltando… (risos)

Após isso, aferimos que o ritmo pouco atrapalhou na obra ,pois não havia algo para atrapalhar (risos), já que, não houve uma evolução na relação das personagens e nem nelas próprias. Talvez se o ritmo não tivesse sido algo acelerado demais e focasse mais na relação deles – uma coisa na relação entre eles que ficou boa (algo se salva, pelo menos) foi a ideia utilizada, embora, na prática, curta demais, foi de mostrar a relação deles através de cortes e o uso do recurso da sequência de quadros em cima da animação mencionada anteriormente – teria ficado um pouco melhor. Porém, haveria grandes chances de a história seguir por um caminho mais espinhoso e pedregoso, já que poderia ser algo arrastado e ainda mais torturante…

Afirmo isso, em função da base construtiva das personagens. Como citado anteriormente, eles são somente fetiches que ganharam forma humana sem personalidade nenhuma. Não há nenhuma base para rechear eles, não há background para esses personagens, a história é um grande… nada, basicamente. Tudo que acontece naquilo serve para nada. O drama (absurdamente forçado) é totalmente forçado e sem sentido. A pessoa não entende o motivo de tal personagem estar sofrendo. . Nem mesmo a suposta descoberta do protagonista ser homossexual (na verdade, não dá para afirmar se ele era hétero ou homossexual, pois o filme não deixa isso muito claro) pesou/afetou o protagonista. O autor tentou botar peso nos fatos, sendo que não havia nada para sustentar isso. Toda essa história foi algo totalmente desnecessário…

10Outras que ficaram bem desconexas foi o motivo do professor Manabu Hara (CV Hideo Ishikawa) de gostar ou apresentar interesse pelo Sajou. A cena dos dois se beijando ficou totalmente whatever. Embora parecesse que a história tentou construir algo ali, mas isso acabou sendo esquecido e não serviu nem para criar conflito. E ainda mais, a cena que deu sequência foi aquela cena cliché de romance de pegar a mão da pessoa e sair correndo “whatevermente” pela escola. Além disso, teve toda aquela pegação ao longo da série… outra coisa que lembra Citrus – embora em Citrus, ela consegue ser um pouco cômica, mesmo não querendo. Até mesmo o fato final da história não teve muito sentido: a suposta separação deles. Nós nem sabemos ao certo se o Sajou saiu da cidade, embora isso não tivesse relevância nenhuma para a trama. O humor desse filme  é (pra variar) cliché. Ele é composto por aquelas porradinhas, personagens ficando envergonhados e surtando, a animação proporcionando movimentos estranhos nos personagens, e por aí vai… é muito sem graça. São só personagens fazendo coisas “engraçadinhas”. Apenas uma cena chega a puxar um leve riso que é o do protagonista cortando o suposto laço no momento do coma (?).

Bem… Doukyuusei é uma obra horrível, péssima extremamente ruim. Torna-se algo torturante de se assistir. No entanto, se há algo de bom em tudo isso, foi que ela conseguiu cumprir o seu objetivo que foi  vender. E vendeu muito bem, algo em torno de vinte e mil cópias de blu-rays disc (BD), e essa quantidade indica que foi um hit nas vendas.

Recomenda? Olha… se você, leitor, chegou a esse ponto do texto e não se irritou, então está bem clara a resposta: o bartender Ookami abomina este anime! Se você tem uma opinião diferente da minha e acha que eu só falei merda, deixe aí nos comentários ou então, mande um e-mail para botecodoviciado@gmail.com a sua opinião a respeito da obra e o seu ponto de vista. E sim, agora o Boteco do Viciado tem o seu próprio e-mail para facilitar a nossa comunicação.
Esse filme, ao invés de se chamar Classmate, deveria se chamar Nakama (仲間,Amigos de Nada (risos)). 

Nota: gostaria de agradecer aos meus amigos do Facebook, Ygor e Leandro Maeda que me passaram algumas informações a respeito da obra. Ygor, que me passou os dados da venda; Leandro que me ajudou a criar essa porcaria de trocadilho.

 

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4 comentários em “Doukyuusei ~Um Grande (Nada) Romance Romântico~

  1. Pelos comentários que eu via das páginas do Facebook, eu esperava algo do filme, e realmente não foi lá aquelas coisas :v
    Acho que ficou muito atropelado, e no começo mesmo do filme eu fiquei, como assim ele começou a gostar do outro (no caso, sem um “motivo” mostrado para nós, foi como se brotasse o romance)…

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim, o ritmo do filme é problemático, mas ele volta ao “normal” depois da introdução. Mas aí começa a enrolar, outro problema. E o início do romance realmente não teve sentido/motivo nenhum foi simplesmente algo para começar de uma vez e poupar o autor.

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