Ookami Kodomo no Ame to Yuki ~A Força de Uma Mãe~

“No cardápio de hoje,
vós trago uma dose 
de chá verde
acompanhado de
um delicioso espetinho de carne”


35721lOokami Kodomo no Ame to Yuki
(As Crianças Lobo: Ame e Yuki) é um filme animado japonês de 2012, criado e dirigido por Mamoru Hosoda. A obra nos conta a história de uma estudante universitária japonesa – Hana (CV Aoi Miyazaki) – que, após criar interesse por um misterioso estudante de sua turma, se relaciona com o mesmo e se apaixona. Em meio a isso, é revelado a ela que o seu par romântico é, na verdade, um ser híbrido descendente de lobos. Mesmo assim, o amor entre eles prevalece e dele, nascem duas crianças meio lobos e meio humanas: Yuki (CV Haru Kuroki), a mais velha, e Ame (CV Yukito Nishii), o menor. No entanto, por intempéries da vida, o pai (CV Takao Osawa, não podemos esquecer do dublador dele, mesmo que não tenha nome (risos)) morre e deixa para trás a sua família. Em função disso, acompanhamos a trajetória de vida da mãe para cuidar de seus filhos (especiais) e lidar com as futuras situações. Wolf Children venceu uma série de prêmios na sua época e até foi bem recebido pelas críticas ocidentais. A obra também conta com um mangá dividido em três volumes que serviu para divulgar o filme.

32Bem… OK (modo como irei/poderei me referir ao título da obra) é um filme sensacional, simplesmente isso. Ele chega a beirar a obra prima. A parte técnica do filme é muito agradável. A animação foi muito bem trabalhada e passa uma sensação bem prazerosa/gostosa para os nossos olhos. Embora o CG não esteja “aquela coisa” quando utilizado nas personagens – isso chega até ser algo normal, em se tratando de estúdios japoneses. Por favor, não interpretem mal essa última parte – ele afeta minimamente a experiência visual do filme (tão ínfima como a adição de açúcar em suco de manga). Já o CG aplicado nos cenários ficou belo. Ele deu certo tom de realidade aos cenários, como a chuva, a água e as florestas/vegetações em alguns momentos. Além do bom uso do CG, em geral, a animação padrão (desenhada a mão livre) e a digital ficaram muito bem feitas. A sequência de quadros ficou extremamente fluída e combinada com aqueles cenários, causa um brilho em nossos olhos.

Já que citamos os cenários, vamos discutir sobre eles. OK possui um ambiente fascinante. Todos os quadros que visam mostrar os cenários, seja de forma panorâmica ou não, ficaram bem caprichados. A projeção das sombras, o reflexo das luzes, o cair e o mover das águas, a movimentação da brisa do vento e a sua reação nas nuvens ficaram muito bonitos (acompanhados da animação, obviamente). Ademais, a paleta de cores empregada em alguns quadros ficou bem interessante. Nessa situação, ficaram parecendo pinturas de um quadro. Ademais, fazendo um gancho da questão: cenas, cenários, quadros, o filme proporciona cenas bem emocionantes: o nascimento da Yuki; a briga entre os irmãos; o uivo de Ame são bons exemplos disso.  Em síntese, toda essa produção visual fazem os olhos de quem vê brilharem. Ainda, a trilha sonora é bem bonita e se encaixou bem nas cenas. Nisso, faço destaque ao tema de encerramento do filme que, além de ter representado a vida Hana, combinou bem com o final, digamos, “calmo” e pegou o embalo da emoção em que acabei chorando (risos) do filme.

Agora sobre a história… Se a produção técnica da obra é ótima, a história não poderia ficar3 atrás. Ela é basicamente, sensacional (risos). Muito bem construída e elaborada. Ela possui um bom ritmo. Na parte inicial dela (mais ou menos, os seus primeiros vinte minutos), tivemos a construção de toda a relação do casal e esse foi um bom tempo. Ele conseguiu nos passar o sentimento dela por ele e vice-versa, a revelação do pai em ser um lobo (por sinal, foi uma cena muito bonita, ainda mais com aquele céu todo detalhado), todo o desenvolvimento da relação deles e a formação da família e, por fim, a morte do pai. “Mas eles conseguiram fazer tudo isso bem feito em apenas vinte minutos?” Sim, eles souberam utilizar bem o tempo de duas horas do filme. Talvez, se eles tivessem “gastado” mais tempo em construir detalhadamente o romance, isso poderia ter afetado a segunda parte da história: a relação da mãe com seus filhos; correlação dos filhos com o meio social. Ou seja, teria afetado o desenvolvimento do trio que é a proposta da história.

Na segunda parte da história temos o desenvolvimento da mãe e dos dois filhos. A Hana é uma personagem bem interessante, pois ela “sai da curva” de personagens femininas de anime e mangá. Ou seja, ela é “forte”. A personagem principal acaba largando a possível carreira dela para se dedicar aos filhos. E isso foi bem apresentado, tanto que ela acaba indo pesquisar em livros como cuidar de lobos (risos). Foi uma parte bem engraçada isso (fazendo um adendo aqui: outra coisa boa em OK é a parte cômica não forçada. Ele consegue criar situações engraçadas, mesmo não sendo esse o propósito). E se não bastava só isso, Hana acaba encontrando problemas com a vizinhança por causa dos filhos e procura um lugar bem afastado da urbanização. Isso é um bom conflito, já que, ela acostumada com a cidade e as mordomias oferecidas por ela (a cidade), abriu mão disso e foi para o campo. E isso também foi bem trabalhado. Acompanhamos todo o esforço dela em se estabelecer ali (a construção da casa é um bom exemplo disso) e isso, somado ao fato de ter que cuidar dos filhos a fez  criar relações com as pessoas das redondezas. Hana foi uma personagem bem construída ao desenrolar do plot e isso “criou” um carisma nela que, consequentemente, nos fez nos importarmos com ela. E tudo isso foi construído para nos emocionarmos com a grande cena final do filme.

21Os irmãos também são dois personagens bem cativantes. A partir deles temos o conflito entre a repudia e a aceitação quanto à civilização. A história nos mostra isso através dos caminhos (a vida) que cada um deles vai trilhando. E essa “trilha” – também chamada de desenvolvimento – é feita aos poucos sem percebemos (sem ficar na nossa cara) e no meio dela acontece um plot twist bem interessante: os papéis que cada um iria desempenhar em suas respectivas trilhas… se invertem.

Enquanto Yuki se mostrava alguém que iria seguir a vida selvagem, pois ela adorava a natureza quando criança, ela acaba mudando, se desenvolvendo, a partir do contato com a escola (outras pessoas) e com isso, ela vai se “civilizando” aos poucos. Percebemos isso através dos desejos e ações dela durante o seu período colegial, por exemplo, o vestido novo que ela ganhou da mãe. Outro fator que contribuiu isso para ela foi o fato de ela ser bem comunicativa, expansiva.  Por consequência, ela gerou certo receio quanto a sua metade lobo. E isso culminou no conflito dela. Após um garoto – um suposto interesse amoroso. Constato isso baseado nas situações que sua mãe vivenciou quando a relação de Hana (a mãe) com o seu pai estava evoluindo – de sua classe dizer que ela cheirava igual a um animal peludo, ela ficou em choque, pois se viu “menos humana”.

Em contraposto, temos o seu irmão mais novo, Ame. Inicialmente, ele apresentava uma repulsa a sua parte animal e, em função disso e de sua própria personalidade (pessoa reservada, tímida), também não se dava muito bem no meio civilizado. Ao desenrolar da trama, após os contatos com a figura do lobo do zoológico e a aproximação à floresta, ele começou a mudar aos poucos. Percebemos isso quando ele deixou de frequentar a escola para visitar a floresta. Esse é o seu plot twist dele. Ame abandonou a sua essência humana e abraçou a sua animal tanto que isso gerou um pesar muito sofrido para a mãe, já que ele deixou o lar e foi viver na floresta. Ame, no fim, virou uma espécie de lobo solitário.

O desenvolvimento dos dois irmãos marca uma coisa muito importante para o roteiro: literalmente, o conflito entre eles. Aquele momento marcou e afirmou a base ideológica das duas personagens. Aquela cena foi bem forte até, pois, uma parte da casa que ambos, tanto os filhos como a mãe, construíram foi destruída. Uma coisa marcante na história foi a despedida de Ame e de Yuki (embora não tenha sido mostrada, mas mais comentada pela própria que era a narradora-comentadora). Chega até ser uma cena meio amarga vendo a mãe ficando sozinha, embora a última cena tenha representado que eles sempre iriam ficar juntos, mesmo distantes.

Já que citei a parte da narração vou comentar sobre para encaminhar a finalização do texto (que já está meio longo (risos)). O fato de a narradora ser a Hana foi algo interessante até, no entanto, poderia ter sido algo a mais. Seria interessante se ela fosse, de fato, uma narradora-comentadora mais ativa. Acho que isso ficaria mais interessante, já que veríamos mais do seu ponto de vista, embora tenha ficado um pouco disso diluído em alguns momentos da história.

tumblr_m8upjxyb191qcjr2zo1_500Bem… OK é realmente um filme excelente e é bem gostoso de assistir. Além de ser muito bonito visualmente, possui uma história muito bem elaborada. Pessoalmente, gostei bastante da obra, tanto que quase entrou nos meus favoritos. Recomendo assistirem, vale MUITO a pena. Espero que tenham gostado da review. Se gostaram (ou não gostaram) do filme (e da minha análise) deixem aí nos comentários a opinião de vocês. Até mais!

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