Majisuka Gakuen ~Um Overthinking de Calibre 12~

Segunda parte da review sobre Majisuka Gakuen! Nesse texto, irei abordar sobre a quarta e a quinta temporada; expor uma interpretação de toda a obra.

Está é a segunda (e última) parte da review sobre a série (ou drama, ou dorama) sobre Majisuka Gakuen. Devido a quinta temporada ser algo bem diferente em comparação às outras (a primeira, segunda e quarta) – isso pode ser explicado pela mudança da staff da produção e direção – essa resenha irá ser dividida em três momentos: primeiramente, tratar sobre a quarta temporada; discutir sobre a quinta; abordar sobre um suposto background. A minha vontade era de falar de ambas ao mesmo tempo, equivalente ao que fiz na primeira parte. Mas mudei meus planos em função da mudança radical que teve na última temporada.

MG5_CastAntes de partirmos para o que interessa, gostaria de fazer uma observação sobre o elenco (ou seja, as garotas do AKB48) da série. Para quem assistiu (ou quem ainda irá assistir) a mesma e não conhece nada sobre o grupo musical idol japonês, cujas integrantes protagonizam a maioria das personagens, pode parecer estranho para alguns, já que algumas atrizes atuam em diferentes personagens a partir do avanço das temporadas. Consequentemente, isso leva a pensar que isso seria um mau planejamento na hora de distribuir os papéis para as respectivas atrizes. Algo que deixa bem clara essa situação é os três papéis que a atriz Minami Takahashi desempenha ao longo das temporadas.

No entanto, isso não é um problema. “Ué? Mas como assim uma atriz interpretar mais de uma personagem na mesma série não é um problema?”. Basicamente, a série é do AKB, ou seja, serve para promover, principalmente, o grupo e também, promover as integrantes que sonham em serem atrizes e, até mesmo, revelar atrizes mirins em potenciais. E paralelo a isso, agradar os fãs do grupo. Fora isso, também tem a questão da popularidade de cada integrante envolvida no meio. Em função de tudo isso, a história (assim como o seu elenco) está em função do grupo. Ou seja, caso alguma integrante saia do grupo e ela já participou/participa da história, a mesma não irá aparecer mais. No máximo, fazer algumas aparições, como as atrizes Atsuko Maeda e Yuko Oshima. Apenas ignorem esse fato de elenco (risos). Agora sem mais delongas, vamos ao que realmente interessa…

Preparação de Terreno ~A Construção (Falha) da Relação das Personagens~

Bem… no MG4 temos, novamente, aquela mesma fórmula usada no MG1: estudante bonitinha nova é transferida para a MajiJo e em meio as intempéries da vida, ela começa a lutar contra as estudantes mais fracas e avança contra as mais fortes, em meio a subida dos degraus ao topo. Paralelo a isso, temos a protagonista com um passado sombrio e o conflito contra uma escola rival. Pelo que vemos a quarta temporada não é nada mais do que um remake da primeira e também “puxa” alguns elementos da segunda. Ou seja, pouca criatividade. Todavia, esse é de longe o principal problema dessa parte da história.

Quando o remake foi feito, eles transpassaram os mesmos problemas do MG1. Ademais, criaram novos erros nela (risos). A começar então pelos problemas de direção. Aquele mesmo erro de os golpes não passarem uma noção de impacto ainda está presente na série. Para tentar amenizar isso, eles utilizaram de um recurso interessante que utiliza a gravação das câmeras. Através delas, eles utilizavam a aceleração e a desaceleração para esconder os golpes falsos e, também, indicar mais fluidez durante as lutas.

De início, isso foi algo bem empregado. No entanto, mais para frente da história, esse recurso acabou virando uma faca de dois gumes. Esse artifício acabou sendo utilizado nos momentos errados e, consequentemente, deixou mais evidente a “coreografia” dos golpes desleixados. Para piorar a situação, isso foi colocado em lutas importantes, como a da Sakura (Sakura Miyawaki) contra a Antonio (Sayaka Yamamoto), conflito decisivo entre as escolas MajiJo e Gegioko.

57Embora essa nova técnica presente na série tenha causado problemas na direção, outra técnica (se é que pode ser chamada de técnica ou recurso) foi bem utilizada. Na primeira e na segunda temporada, o método usado para indicar fluidez durante as lutas era de utilizar o zoom durante os golpes. Já, na quarta, isso foi deixado para trás e finalmente eles passaram a mostrar todo o campo de visão da luta ao telespectador durante as lutas. Isso foi algo bem positivo, pena que a aceleração-desaceleração prejudicou isso.

14Os cenários e os figurinos continuaram bons também. Os cenários ficaram mais bonitos ainda, já que não estavam muito exagerados e não dava aquela aparência de “objetos jogados” aleatoriamente. A trilha sonora também continuou agradável em todos os aspectos e bem encaixada (embora com o tema da Salt meio estranho sonoramente). O tema de encerramento também não fica muito atrás. A música, Yankee Rock, passa aquela vontade de continuar assistindo a série, pois ela te anima a assistir o próximo episódio. O tema de abertura também não fica muito atrás. Embora a abertura não seja tão envolvente quanto o encerramento, ela tem um clima animado até e é bem feita visualmente.

Agora sobre a história, bem… ela consegue ser pior que as duas primeiras temporadas. A explicação para isso se deve por dois motivos: quem escreveu (obviamente) e quem dirigiu (já nessa parte, mais a questão de ritmo). O MG4 ele avança tão rápido que não da para “sentir” direito os acontecimentos. Logo nos primeiros episódios, já temos o confronto da Sakura contra as quatro rainhas. Ela mal chega a enfrentar as outras estudantes. Outro problema nisso foi o desenvolvimento das personagens. Com esse ritmo tão rápido, elas foram mal construídas.

A protagonista (Sakura), logo no primeiro episódio, ela demonstrou ser interessante, já que ela mesma queria tomar o topo da escola e já tinha dado uma pitada do seu passado no primeiro episódio da série. No entanto, ela se torna uma personagem desinteressante a cada episódio que se passa. O motivo de ela querer tomar o topo é algo bem vago; seu passado não reflete muito no seu jeito de ser, coisa que a história evidencia que ela mudou por causa disso. Já as quatro rainhas e a presidente, elas apresentam o mesmo problema do Rappapa anterior: a relação entre elas não foi muito explorada. Além disso, os motivos da presidente Salt (Haruka Shimazaki) não tem base nenhuma, sem falar, o seu jeito de ser. Na verdade, só vamos ter uma ideia de como ela é somente no último episódio, o que é algo inadmissível para a construção de uma personagem. Idem para a personagem da Sakura, onde seu passado é retomado nos dois últimos episódios. Outro comentário sobre a Salt, a atuação de sua respectiva atriz nessa temporada é algo deplorável. Ela  mais parecia que estava definhando aos poucos do que com sono ou tédio.

28Nessa quarta temporada, as personagens são tão pouco interessantes que as personagens mais carismáticas chegam a ser a Kamisori (Mako Kojima) e a Zombie (Nana Owada). Outra coisa que corrói isso é que tentaram forçar um desenvolvimento na mesma dupla de personagens citadas anteriormente, no Team Hinabe e, principalmente, na Salt. Isso deixou uma experiência bem desagradável ao assistir a obra. Essa quarta temporada era para ser fundamental, já que ela é a base para dar peso aos acontecimentos da quinta temporada. E já que a citei, bora falar dela!

Terreno Sangrento ~A raiva yankee VS Yakuza~

Vale a pena assistir duas temporadas meias-bocas e uma ruim para ver ela? Bem… digamos que sim, até porque, a quinta e última temporada é a melhor parte de todo MG. Nela, o conflito é até mais interessante e foge daquela fórmula utilizada na primeira e quarta temporada. Nela, temos vários conflitos. O principal é focado no conflito da MajiJo e da Gekioko contra a Yakuza. Paralelo a isso, temos o conflito já bem antigo da série que é entre a MajiJo e a sua principal rival, a Yabakune. Além disso, temos pequenos sub-plots das personagens, como o da família da Otabe (Yui Yokoyama) e da Sakura contra sua antiga colega, a Katsuzetsu (Haruka Kodama).

56Antes de começarmos a falar direto da história, vamos seguir a fórmula do Ookami bartender (risos). A direção do MG5 ela está consideravelmente melhor comparada aos outros cours em todos os aspectos. O corte de troca de cenas não está muito “brusco” igual nas outras temporadas, embora possa causar algum desconforto em algumas pessoas (em meu caso, não me senti incomodado). As cenas, em geral, também estão melhores dirigidas. Nesse quesito, faço destaque a cena final da Sakura balbuciando “abram o caminho”; as yankees se reunindo para invadir o local da festa. Outras coisas que ficaram bem legais foram a introdução do nome das personagens (dessa vez, a série não parava e criava um quadro para isso) e a produção da abertura e encerramento.

Já que citei a abertura e o encerramento, vamos falar um pouquinho da trilha sonora. Pegando o embalo, as músicas da abertura e do encerramento da série ficaram bem prazerosas. O tema de abertura (confira aqui) possui uma música bem envolvente. Embora possa conflitar com alguns momentos iniciais dos episódios, uma coisa que ficou bem bacana nela é que a música combinava com o som do disparo das armas. A canção do encerramento (confira aqui) também propicia um bom clima para fim de episódio. Como cada episódio, em sua maioria, acabava em momentos tensos, ela servia para combinar com o momento. Além disso, a letra, de certa forma, combina com a suposta mensagem que todo o Majisuka Gakuen tentou passar. Irei falar disso mais adiante, mas antes, vamos finalizar essa parte mais técnica falando das cenas de ação.

As cenas de ação –tanto as que envolvem luta corpo-a-corpo quanto as que utilizam de armas de fogo e brancas- estão mais fluídas. Na verdade, a poucas cenas de ação, comparando-as com as partes anteriores de todo o MG. No entanto, nessas poucas situações que envolvem adrenalina, elas conseguem ser melhores do muitas das anteriores.

Pegando a questão das lutas físicas primeiro, elas estão bem mais fluídas. Elas convencem mais que são lutas. A percepção dos golpes relaxados e a falta de impacto dos mesmos é quase nula (talvez por haver poucas lutas mesmo). Não a muito que reclamar delas. Foram bem feitinhas. As outras cenas de ação, no geral, foram bem realizadas também, com exceção de algumas, como, por exemplo, o momento da invasão a festa do presidente da Akechi Sougyo. Das cenas de ação, a que cria realmente uma situação de desconforto é a cena da invasão. Aquela música de igreja de fundo, todo aquele slow motion e toda a movimentação das personagens ficaram mal feito. Embora, talvez, o diretor quisesse combinar isso com o momento das mortes (o que explica a música de igreja, uma espécie de música fúnebre, e aquele slow motion exacerbado) com aquela ideia de que o momento do definhamento é algo lento… não convence, ficou ruim (risos).

Bem… agora sobre o plot. Como já mencionado anteriormente, a quinta temporada possui uma trama bem mais interessante do que as outras, devido a ter uma maior participação das personagens ligadas a MajiJo e, também, da Gekioko. Ou seja, acompanharmos as personagens agindo. Outra coisa boa nessa temporada é a sequência dos fatos, pois elas ficaram bem planejadas. Além disso, também tivemos um pouco de conflitos internos em algumas personagens.

4O conflito foi bem feito até. Embora o estopim para o embate ter sido explicado por cima, o seu desenrolar ficou bom. Toda aquela disputa territorial entre a Akechi Sougyo e o grupo Ryuto; futuramente, o envolvimento da máfia chinesa e os confrontos deles com a MajiJo ficaram bem bacanas. Acompanhamos todo um jogo de manipulação (onde as escolas acabaram sendo usadas no jogo, os peões da guerra) de um tentando eliminar o outro para ampliar as suas influências no mercado do submundo.

Embora possa parecer um pouquinho confuso o jeito como se procede, a história utiliza de um personagem orelha bem carismático. O policial Nirasawa (Yoshinori Okada), juntamente com o seu parceiro, ficou responsável por investigar os incidentes que envolviam confronto entre a Yakuza e as escolas. Em função disso, ele acaba circulando por ambos o grupos e se mantém em uma posição neutra nas situações. No entanto, o seu personagem ele tenta confundir (ao menos um pouco – bem pouco) o telespectador, o que chega a ser cômico, já que ele é um personagem orelha (risos).

41Durante o desenvolvimento do plot principal, tivemos alguns sub plots que ajudaram a incrementar a base de algumas personagens. A Sakura que na quarta temporada era uma personagem relativamente desinteressante passa a ser uma boa personagem até, já que ela se vê em conflito interno com o seu “estilo yankee de ser” após ver o que estava acontecendo a sua volta. Para mais, temos a Otabe que é a melhor personagem do MG5. “Mas o que faz dela ser a melhor personagem?” Basicamente, acompanhamos toda a sua movimentação e ações que ela fez (a procura por armas para combater a Yakuza, o enfrentamento contra o seu pai e a tentativa de prostituição como forma de pagamento para o tratamento da cirurgia da Sakura). Ademais, tem toda a pressão que ela coloca em si sobre proteger a escola e se vingar da morte de suas companheiras…

Um suposto background

Após eu rever as duas primeiras temporadas de Majisuka Gakuen, algo ficou me incomodando: será que o autor tentou dizer algo com todo esse papo de levar as coisas a sério? Bem… enquanto revia elas, fiquei com esse pensamento  e fui construindo ele. Até a quarta temporada, com exceção da terceira, achei que a obra toda, até aquele dado momento, era uma grande ironia sobre o jeito como os yankees e derivados encaram a sociedade.

68539_300A série é uma combinação da cultura yankee com a sukeban. Chega até ser engraçado isso, visto que, os yankees, tecnicamente falando, representam o lado masculino dos antigos arruaceiros nipônicos. Ao mesmo tempo em que as sukebans – as quais seguem a mesma base dos yankees de se verem a parte da sociedade, no entanto, com uma ideologia diferente – representam as mulheres. A graça nisso está em sukebans se autodenominarem yankees, dado que, um dos motivos do surgimento dessas gangues de mulheres foi justamente o motivo de o lado feminino ganhar mais destaque no universo da Yakuza. Outra parte cômica disso é o fato de as personagens sukebans serem interpretadas por… adolescentes idols. A ideologia feminista das sukebans ia contra aquele padrão “favoritista” de mulher japonesa daquela época, cuja imagem era representada por ninguém menos do que… Seiko Matsuda, uma das idols responsáveis pelo primeiro boom dos grupos no Japão. Não sei se o Yasushi Akimoto (autor de MG) fez isso intencionalmente – e se sim, por qual motivo – ou se foi algo totalmente acidental.

Embora essa suposta parte cômica não tenha uma base muito sólida, a outra base é mais concreta. A questão da “seriedade” tratada em Majisuka. Inicialmente, pensava que isso era  outra ironia do autor, uma vez que, yankees e derivados levarem coisas a sério dentro daquela sociedade ia contra a sua ideologia. Basicamente, o pensamento principal dos yankees era de viver contra os costumes do Japão naquela época (mais ou menos, início da década de 60 até a década de 80 que foi o seu auge). E algo que ajuda a comprovar isso é a personagem interpretada pela Atsuko estudar e encarar isso como algo sério.

Até a quarta temporada, achava que o criador estava debochando do “jeito yankee de ser”atsukomgmode. No entanto, com o decorrer da última temporada, comecei a mudar esse pensamento e cheguei à conclusão de que as temporadas abordadas nessa resenha seriam uma metáfora. A alegoria de MG seria uma representação do processo evolutivo do indivíduo dentro da sociedade: a criança/adolescente virando adulto. Basicamente, a primeira parte de MG nessa review representaria a vida da criança/adolescente (o simples fato de todas as personagens gostarem de lutar justificaria isso). Curtindo a vida do jeito como bem entende, sem nenhuma preocupação, só fazendo as coisas de que gosta. Já a segunda parte simbolizaria o fim da fase da adolescência: a pessoa percebendo que irá ter que tomar um rumo a sua vida (a suposta jornada da Atsuko em busca de uma resposta para arrumar um jeito de começar a trilhar dentro da sociedade). A terceira parte seria uma espécie de retrocesso nas escolhas, já que volta para o estilo da primeira temporada. Uma espécie de medo de quebrar a cara na sociedade ou que quebrou a cara. E por fim, a última parte, a última etapa desse processo, seria o adolescente virando adulto aos poucos, assumindo as responsabilidades de suas escolhas (o conflito contra a Yakuza e as consequências disso representaria isso).

Bem… não sei se isso realmente foi pensando, pelo motivo de isso não ficar muito claro e pelo fato de o roteiro, no geral, ser meia-boca. No entanto, foi um overthinking legal (risos). Mesmo com os seus problemas, eu acabei gostando de assistir Majisuka Gakuen. É uma série boa para apenas descontrair e relaxar com um episódio diário. Para quem ainda não assistiu, tentem dar uma conferida para ver o que acharam e depois comentem no blog o que acharam. A parte de comentar no blog… também vale para quem já assistiu (risos). Obrigado por lerem esse texto que ficou maior do que eu pensava, até mais!

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