Majisuka Gakuen ~Uma Coleção de Clichés de “Battle Shounen” em meio A Cultura Yankii&Sukeban~

“Para o cardápio de hoje,
voz trago um belo copo de chope,
acompanhado de uma panela
de hormone com
fondue de queijo”

29Majisuka Gakuen (em uma tradução bem livre, Escola da Seriedade) é uma série televisiva japonesa iniciada em 2010 e, até o momento, seu último projeto foi realizado e finalizado em 2015. A premissa da obra, basicamente, nos traz um slice of life escolar de garotas (protagonizadas pelas integrantes do AKB48) que seguem o “estilo de vida yankee” (ou yanki, ou yankii, como preferirem) e foca nos conflitos travados entre elas nas suas respectivas escolas.

Ao todo, a série é dividida em cinco temporadas que é aquinhoada em três momentos: o primeiro e o terceiro, cujas histórias estão conectadas, no entanto, com protagonistas diferentes; já o segundo momento, é uma história em um outro universo. A série também conta com outros projetos especiais. Essa review irá tratar do primeiro e terceiro momento e será dividida em duas partes. Esse texto irá tratar sobre a primeira e a segunda temporada de Majisuka Gakuen.

As duas primeiras temporadas de MG (irei me referir assim a partir de agora a série), em geral, são bem meia boca com mais pontos negativos do que positivos. No entanto, por mais incrível que pareça, é algo, digamos divertido de se assistir. Para não passar um tom muito forte de negatividade logo de início, irei expor primeiramente, os pontos positivos do primeiro momento da série.

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Visual da Gekikara

Bem… as qualidades de MG, indo direto ao ponto, são a sua trilha sonora (não querendo puxar muito o saco de AKB, só para deixar claro (risos)); os cenários; a questão do figurino. O figurino ele retrata muito bem o estilo sukeban tanto da década de 60 até a de 80 e o mais atual. Além disso, em algumas personagens, o figurino se encaixou perfeitamente nas atrizes, como por exemplo, da Gekikara (Rena Matsui) e da protagonista (Atsuko Maeda, no caso). Os cenários, embora exagerados em alguns ambientes (como o terraço da escola MajiJo), eles são bem feitos e deixam bem claro (e bota claro nisso) que aquilo é uma escola onde as garotas yankiis mandam. O terceiro ponto positivo, a trilha sonora, foi algo bem trabalhado, mesmo com seus apesares. Ela se encaixa bem nos momentos. Tanto em cenas mais dramáticas, como em cenas de ação, com exceção de alguns diálogos. Mas isso já entra um pouco na questão da direção.

Já que finalizei o parágrafo anterior citando a direção, vamos falar dela agora. Infelizmente, a partir desse momento, os pontos negativos vão começar a aparecer. Bem… o primeiro aspecto que a direção prejudica é a sequência temporal dada em alguns episódios. Para exemplificar isso, podemos citar o final da luta entre a MajiJo e a Yabakune, na segunda temporada. Nessa cena, a partir do dado momento que a Atsuko entra em cena e o conflito é resolvido e a saída da mesma do local onde a luta ocorreu, de uma hora para outra… fica de noite. Apesar de isso parecer um mero detalhe e ser algo um tanto quanto irrelevante, é algo que prejudica um pouco a sequencia dos fatos. Outro exemplo que ocorre essa mesma falha é, novamente com a Atsuko e na segunda temporada, em uma de sua caça aos bandidos a procura de sua resposta.

33O segundo aspecto que a direção falha é logo em um dos principais atrativos de todo MG… as lutas. Esse segundo defeito é algo mais evidente na primeira temporada do que na segunda, já que ocorre uma pequena melhoria nesse quesito. As lutas… não convenciam que eram realmente lutas. A direção e a produção utilizaram de muitos truques de zoom para tentar enganar o telespectador. Nessa “técnica”, o efeito é de tentar passar a ideia de que a luta está fluída, que está avançando, pegada, acirrada, etc. No entanto, isso acabou passando o efeito completamente contrário. As lutas, em sua maioria, acabaram ficando chatas. Um bom exemplo disso é a luta da Atsuko contra a Choukoku (Sayaka Akimoto). Na primeira temporada, apenas uma luta pareceu uma luta: Atsuko contra Gekikara que a propósito é a melhor luta de todo o primeiro momento de MG. Já na segunda temporada, um bom exemplo de luta fluída foi a luta da Shaku (Minami Minegishi) contra a Janken (Mayumi Uchida).

Outros problemas durante as lutas foram os golpes trocados entre as personagens. Como sinal de melhoria, essa falha na “coreografia” das lutas é diluída –mas não totalmente- na segunda temporada. Em alguns momentos ficava extremamente evidente que a atriz que levou o golpe se jogou ou se virou para dar o efeito de impacto. Isso é bem nítido em alguns confrontos secundários que não envolvem nenhuma personagem do grupo das principais. Uma amostra disso é a luta da Atsuko contra a Myao (Miho Miyazaki). No entanto, paralelo a isso, algo que ajuda a comprometer um pouco o andamento das brigas é a atuação das atrizes.

10A atuação das integrantes do AKB envolvidas chega a ser um dilema. Em alguns momentos ela é boa, mas em outros é aquela coisa duvidosa. O jeito como elas interpretam as suas respectivas personagens –seja em ou diálogos, ou lutas ou simplesmente representar a personalidade/jeito da personagem- oscila um pouco comprometendo algumas situações no decorrer da história. Ademais, esse não chega a ser um dos grandes problemas já que, geralmente, elas atuam bem. Como exemplo de atuações problemáticas, podemos citar o caso da Shibuya (Itano Tomomi) –a situação em que ela soca a parede por sentir raiva da Atsuko prova isso- e, até mesmo, o da protagonista. Mas isso irei falar mais adiante. Agora, exemplos de boas atuações, percebemos na personagem que a Yuko Oshima (como ela mesma) interpreta e, principalmente, na personagem que a Rena executa que, a propósito, é a melhor atuação em todo o primeiro momento de MG. Tanto como em personificação da personagem como em lutas e aquela cena dramática no hospital, ela atuou muito bem. A atuação da Atsuko Maeda, bem… é algo, como diria, duvidosa (acho que essa seria  a melhor palavra para isso). A personagem dela é alguém quieta, reservada. Nesse quesito de personificação, ela cumpre o seu papel. No entanto, ao desenrolar da história, fica um pouco difícil de entender o que a personagem está passando já que nem a história e nem a cara mono expressiva dela ajudam. Algo que mostra muito bem isso é quando percebemos o trauma dela nas visões da personagem Torigoya (Haruna Kojima). Um exemplo de boa atuação por parte dela é no flashback da sua respectiva personagem no hospital, após ver o corpo de sua melhor amiga, Minami Takahashi (como ela mesma).

Depois de todo esse papo, hora de tocar na história. Bem… todo o primeiro momento da história de MG é algo bem simples. Ela é como se fosse uma grande caixa que guarda vários clichés de shounen battle: temos a personagem psicótica, a menina bonitinha que usa óculos e é extremamente forte, a personagem que ama lutar, a personagem dark, a personagem que se acha, mas leva depois, entre outros estereótipos. Isso não chega a ser um problema, mas sim, a forma como foram utilizados, construídos. Já que comecei pelas personagens, vou utilizá-las como ponto de partida. As personagens de MG, em sua maioria, não chegam a ser desenvolvidas na primeira temporada, só apresentadas. Mesmo com isso, temos algumas personagens carismáticas.

3No primeiro cour de MG, o grande foque da série é o problema da Atsuko (obviamente) com o seu trauma no seu passado; a rachadura na Rappapa (grupo do terceiro ano que dominava a escola). Paralelo a isso, temos a preparação de terreno para o conflito da segunda temporada. A personagem da Atsuko tinha tudo para ser uma boa personagem, no entanto, conseguiram estragar ela. Pelo fato de ela ter tido uma mudança drástica em sua personalidade devido à morte de sua melhor amiga e de ter colocado a si própria como culpada desse evento, a série deveria ter cedido um ou dois episódios para desenvolver bem isso: mostrar como era a Atsuko antes disso e mostrar bem como era a relação dela com a Minami. Isso para se criar peso na história e na protagonista. Infelizmente, isso foi mal feito e acarretou um grande “foda-se” para toda a construção dela.

Em contrapartida, o conflito gerado pela rachadura da Rappapa foi, em geral, bem feito.  A construção da Yuko foi algo bem positivo. Tanto que ela acaba sendo a melhor e a mais carismática personagem da primeira temporada. A relação dela com a Sado (Mariko Shinoda) foi algo bem construído ao desenrolar da série através dos flashbacks e das desavenças geradas pela Nezumi (Mayu Watanabe). Contudo, as únicas coisas que não ficaram muito bem colocadas foi o fato de a Yuko ter a tal famosa… doença espiritual (outro cliché) e a relação dela com as quatro rainhas da Rappapa , Gekikara, Shibuya, Torigoya e Black (Yuki Kashiwagi). Essa parte da relação entre as integrantes da Rappapa deveria ter sido mais bem construída (com exceção da Sado), pois ambas, tem um grande respeito pela Yuko.

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Da esquerda para a direita temos Gekikara-Shibuya-Sado-Yuko-Black-Torigoya

Sobre as quatro rainhas, bem… o único problema ali é a Torigoya. Aquele fato de ela ter um poder whatever de ler mentes e enxergar o passado das pessoas ficou extremamente deslocado dentro daquele universo. Além disso, o despertar dela foi algo muito estranho e mal feito. Não entendi até agora se aquele negócio do galinheiro é uma referência a ela dentro do grupo ou não. A Black passou a ser meramente uma imagem, mas isso acabou sendo neutro. Já a Shibuya e a Gekikara passaram a ser desenvolvidas –e mais uma vez, Gekikara passa a ter mais destaque nessa parte- na segunda temporada.

Sobre as outras personagens apresentadas, em geral, a maioria chega a ser só apresentada. Na primeira temporada, a maioria dessas personagens serviu só para provar que a Atsuko era extremamente forte. Basicamente, seguiu o esquema básico de shounen battle: a protagonista vai enfrentando as personagens mais fracas e partindo para as mais fortes, no esquema de episódio semanal, a “luta da semana”. No entanto, essas personagens até passam por um desenvolvimento e aprofundamento bem raso. A exemplo disso, podemos citar a Choukoku e as garotas do Team Hormone. Até mesmo a Shaku, que aparentava ser uma personagem totalmente aleatória, teve investimento. Todavia, a única personagem que beira o insuportável é a Daruma (Natsuka Takekawa, ex-integrante do SDN48). Embora ela seja uma ferramenta para forçar comédia e servir como estopim para o desenvolvimento raso da Atsuko, ela vai perdendo seu carisma aos poucos no decorrer da série. Em meio a tudo, duas personagens que se mostram muito interessantes são a Nezumi e a Center (Jurina Matsui).

20A dupla de personagens citadas no final do parágrafo anterior é responsável por um dos conflitos na segunda temporada: a tentativa de domínio do topo da MajiJo; mais uma vez, a intriga entre a MajiJo e a Yabakune, em pa Ambas são bem construídas até, só que o único problema que elas apresentam é o fato de não ter sido mostrada a relação delas com seus pais, já que isso, o conflito e o desgosto pela família, foi o motivo que uniram elas. A amizade delas foi algo bem construído ao longo da trama também e um dos principais atrativos nessa parte, tanto que trouxe uma cena muito emocionante no final da série.

Paralelo a esse conflito, temos a busca da Atsuko pela resposta da Yuko… se a série não 36tivesse, provavelmente, ela teria sido melhor. Essa parte envolvendo a Atsuko ela foi contra a própria personagem e história. Respectivamente, não houve nenhum momento na Atsuko refletindo sobre isso; e o jeito como isso foi feito, corroeu o final da primeira temporada, pois desfez a morte da Yuko. Embora isso tenha ficado um tanto quanto deslocado na série, é provável que tenha um background nisso. Mas irei falar isso na segunda parte. Outro defeito apresentado no segundo cour de MG foi o fato de a Yuko ter duas irmãs gêmeas, fato que vai contra o apresentado na temporada anterior que dizia que ela era órfã e, de forma indireta, vai contra  a formação da personagem.

Bem… para finalizar, o primeiro momento de MG é ruim, embora seja algo agradável de se assistir. Futuramente, irei lançar a segunda parte dessa review, até lá, esperem (risos). Espero que tenham gostado. Deixem aí nos comentários a opinião de vocês sobre as duas primeiras temporadas da série. Até mais!

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2 comentários em “Majisuka Gakuen ~Uma Coleção de Clichés de “Battle Shounen” em meio A Cultura Yankii&Sukeban~

  1. “só que o único problema que elas apresentam é o fato de não ter sido mostrada a relação delas com seus pais”
    Isso foi explicado em partes durante a segunda, e quinta temporada, mas mesmo assim é algo muito enterrado.
    Por isso eu não aceito o fato de não acontecer pelo menos um especial de majisuka ou os escritores esclarecendo tudo isso ;-;
    A procura de Atsuko em MG 2, é algo que eu não entendo até hoje, sinceramente.Junto com a Minami, aparecendo na segunda temporada como policial e na quarta e quinta trabalhando numa loja de bento.

    Adorei a postagem, tem a mesma opinião que eu tenho de Majisuka.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Hum… Eu lembro que elas chegam a comentar sobre a relação delas com os pais em um dos epis de Nezumi&Center. Mas mesmo assim, deveria ter sido mais explorado isso, como você falou, já que justifica a personalidade delas. Elas seriam as melhores personagens no MG2 se isso tivesse ocorrido, na minha opinião. E sobre o caso da Atsuko, realmente… aquilo ficou muito jogado e mal trabalhado. Embora teria sido melhor se tivessem seguido o ritmo e fluxo normal da hist (conflito do seg. ano contra o terceiro; luta contra a Yabakune), eu acho que o autor tentou construir algo com essa jornada da Atsuko, coisa que irei comentar na próxima parte (já fazendo propaganda kkk). No entanto, continuou mal feito isso (risos). A questão da triple atuação da Takamina foi algo mal planejado na hora de distribuir os papéis mesmo. Aì já entra a questão de popularidade também. É outra história. A questão da Takamina foi mal planejamento na hora de distribuir os papéis. Esqueceram que ela era relativamente popular dentro do G48 e deu nisso.
      Clara, valeu pelo seu comentário e sua participação 🙂 Continue acompanhando o blog ;D

      Curtir

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