Self/Less ~O Sacrifício do Ritmo~

“No cardápio de hoje,
temos um delicioso café,
acompanhado de uma deliciosa
salada gourmet”

Self/Less (Altruísta) é um filme norte-americano de 2015 escrito por David Pastor e Àlex Pastor; dirigido por Tarsem Singh. Sem Retorno (título brasileiro) conta a história de Damian (Ben Kingsley) –um homem frio e bilionário que ajudou a construir New York- que está com seus dias contados, devido ao diagnóstico de um câncer terminal. Em função disso, o protagonista encontra um cartão de um médico cientista, Albright (Matthew Goode), que lhe apresenta um método de troca e preservação de mentes, chamado de shedding. Após isso, Damian decide ser cobaia do experimento e, então, tentar desfrutar de uma nova vida, no entanto…
r.selfless15ccBem… Self/Less tinha tudo para ser um filme minimamente legal, seja explorando o lado científico da ideia ou a carga filosófica que a mesma traz, mas ele consegue ser uma obra meia-boca. O principal fator que corroeu toda a história foi, por incrível que pareça, o seu ritmo. Podemos utilizar dessa seguinte analogia para resumirmos o andamento do filme: “Imagine-se dentro de um carro em alta velocidade, em uma longa estrada, onde a sua volta, há uma vasta paisagem composta de vários campos com bois pastando… você vai engatando as diversas marchas dele e, quando se dá conta, você já engatou a milionésima marcha e o veículo atinge uma velocidade absurda. E DE REPENTE! UMA ÁRVORE BROTA NA SUA FRENTE! Você senta o pé no freio, mas mesmo assim o carro acaba chocando-se na árvore e ele… explode”. Após essa idiotice analogia da pra se ter uma ideia de como é o andamento do filme. A história começa extremamente rápida, em um ritmo muito acelerado, e (mais ou menos) pela metade do filme, o desenrolar acaba ficando “normal”. Coisa que deveria ter sido feita desde o início.

Esse problema afetou diretamente na construção do protagonista e em seuin-selfless-a-man-cheats-death-by-transferring-his-mind-to-another-body--heres-how-close-we-are-to-making-that-reality desenvolvimento. Nós só tivemos uma ideia bem rasa de como era o protagonista: um salaryman rico e frio que acha que o dinheiro é a solução para tudo. Além disso, é passada uma ideia de como era a sua relação com a sua filha (basicamente, um pai não presente). Esse era o personagem de Damian pré-shedding. Já o personagem pós-shedding é o segundo maior problema. A parte do protagonista se acostumando com o novo corpo podemos dizer que foi a melhor coisa no filme. O ritmo acelerado até que conseguiu se encaixar bem em certos momentos, pois mostrou a vida monótona que ele seguia (basket na quadra, saídas durante a noite e uma mulher nova em sua cama). Nessa parte, também tivemos a melhor colocação da trilha sonora.

Embora essa parte da história tenha os seus lados positivos, ela também apresenta lados negativos. Como apresentado no filme, pessoas eram mortas para servir de receptáculo para a mente das pessoas. Esse é o grande e desperdiçado plot twist da trama. Damian, após descobrir o motivo de seus lapsos de memória ocorrer, não houve um contraste aprofundado. Ficou muito raso isso. Esse momento era para ser “O Momento” para o desenvolvimento do protagonista. No entanto, por motivos de quebra de ritmo, isso acabou tendo muito pouco peso. Esse problema de desenvolvimento dos fatos afetou até mesmo no peso dos acontecimentos. O simples fato de uma mente diferente estar em conflito com outra que pensa totalmente diferente era para gerar um conflito psicológico extremamente rico, mas isso acaba sendo desperdiçado, infelizmente…

tumblr_nko0fw6D5v1sij4djo1_500Outra coisa que não chegou a ser muito problema no filme, pois não fazia parte da sua proposta era a parte científica da transferência de mentes. Embora isso seja um detalhe para a maioria das pessoas e passar batido, isso é algo que pode deixar algumas pessoas intrigadas: “Como isso funciona?”. Foi essa a pergunta que eu me fiz. Praticamente no início da obra, quando o personagem principal vai até o laboratório fazer o transplante (na primeira meia-hora), vemos que o mecanismo funciona em cima de dois imãs que ficam girando e, de algum modo, a troca das mentes é feita. Isso seria apenas um detalhe, caso isso não fosse servir de outro plot twist… que foi o que aconteceu. Além disso, o filme acaba deixando a resolução um tanto quanto estranha. A solução para driblar a troca magnética dos imãs foi a de colocar uma bala de arma… na boca. Era para aquilo ter sido puxado violentamente dele pelos imãs, mas nada aconteceu.

Bem… Assistir Self/Less foi uma experiência um tanto quanto… desagradável. Ver uma ideia dessas com um potencial sendo desperdiçado é algo que me deixa muito descontente e intrigado (poderia ter sido eu que tivesse aquela ideia e ter feito aquele filme). Além de o ritmo ter prejudicado a história, ele também me prejudicou. Acabei ficando com sono durante a segunda metade da trama.

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