Looper ~O Paradoxo Desenvolvimentista~


“No cardápio de hoje,
trago a vossas senhorias,

um copo de uísque hipnotizante,
acompanhado de uma ala minuta”

          Looper (ou Looper: Assassinos do Futuro, título brasileiro) é uma produção estadunidense feita no ano de 2012. Uma curiosidade sobre esse filme é que ele foi selecionado para abrir a Toronto Internacional Filme Festival (TIFF), um evento relativamente importante na região canadense.  A trama nos traz Joe (Joseph Gordon-Levitt), um assassino que mata pessoas vindas do futuro, os loopers, a mando da máfia (responsável por enviar os seus empecilhos para o passado) e a única portadora por alguma razão das máquinas do tempo. Neste universo, viajar no tempo é algo ilegal. Em função disso, apenas a máfia possui tal tecnologia. E, em função de tudo isso (risos), Joe, em um de seus trabalhos, recebe a missão de eliminar o seu “eu” do futuro para evitar possíveis “catástrofes temporais”.

                Bem… Looper é uma história bem interessante, mas que me deixou com dois “sentimentos” após seu término: “um gostinho de tanto-faz” e “hum… esperava mais”. O motivo de achar isso foi a construção de seu próprio universo. O espaço dessa obra é algo bem interessante inclusive. Ela nos traz um universo cyberpunk que se passa em duas linhas temporais: uma, por volta do ano de  2040; outra, por volta do ano de 2070. Uma coisa bem bacana nos cenários ambientados nessas linhas temporais foi que -por motivos de não ter uma grande diferença de anos entre  nossa época e a história-  eles não eram algo fantástico que beirava o surrealismo. Idem para a tecnologia que apresentava motos voadoras, a máquina do tempo e, por incrível que pareça, armas de fogo (pelo seu design, parecem algo bem arcaico). Ou seja, da para se dizer que a ambientação é algo “pé no chão”.

                A parte “física” (cenários) eu achei bem interessante, já a parte “não-física” (história, personagens, etc) achei com problemas. O enredo nos traz várias coisas para incrementar aquele universo desde uma organização mafiosa até pessoas com poderes de telecinésia. Tudo isso deixaria a história interessante… se fosse bem construído. O filme nos diz que o ato de viajar no tempo é algo ilegal, no entanto, não fica muito claro isso. Outra coisa associada a isso é o motivo de só as organizações mafiosas possuírem tal tecnologia. Embora esses aspectos não afetarem diretamente a história principal, eles deixam pequenos buracos no roteiro. Mais uma coisa que fica meio confusa é o motivo de eles (os mafiosos) precisarem enviar seus alvos para o passado e de precisar fazer o mesmo com o próprio looper que se envolveu com eles. Apesar de, o escritor conseguir “amenizar esse dano” ao roteiro com o recurso do paradoxo, não deixa de ter um buraco (embora pequeno). Em função disso, fiquei com um “pé atrás” quanto ao conflito entre o Joe do passado X Joe do Futuro. Outra cousa que achei que ficou meio solta foram os personagens com poderes psíquicos. Mesmo isso ter sido usado para dar base a Suzie (Piper Perabo) e a Cid (Pierce Gagnon) –o responsável por dar origem aos grupos mafiosos no futuro- isso ficou sem relevância pra história.  Para fechar este ponto, Looper possui um universo interessante, mas poderia ter um “recheio mais saboroso”.

                Looper, além de possuir um universo interessante (embora com seus problemas), possui uma boa história. O conflito entre os dois Joes foi algo bem interessante pelo fato de ter ocorrido um embate entre personalidades diferentes, mesmo sendo o mesmo personagem. Enquanto o Joe do presente pensava no presente, o Joe do futuro pensava… no futuro. Essa transição de pensamento é algo bem interessante. O Joe do presente vivia o momento: executava seus alvos, pegava sua prata (moeda daquele universo), usufruía de drogas, andava com prostitutas e só. A razão de ocorrer essa mudança foi dada pela descoberta e perda de um amor. Com essa descoberta, o protagonista (futuro) resolve mudar essa situação e quebrar o ciclo de morte dos loopers. Isso até chega a ser cômico: o seu eu do futuro tentando ajudar o seu eu do passado e o mesmo, negando. A cena de perseguição é realmente muito boa (risos). Outra cena (a que eu mais gostei também) foi quando os dois se encontraram um na frente do outro no bar.

                A estrutura do filme até consegue ser coesa. Normalmente, temas que envolvam viagens no tempo e paradoxos são algo que podem se tornar complicados dependendo de quem manipula esses recursos. Particularmente, não achei que isso ficou de uma maneira extremamente complexa, na qual, você precisa utilizar 100% do seu cérebro toda a sua atenção e se isolar para poder entender o que está acontecendo. Na verdade, o que pode se tornar confuso são os meios que o diretor tenta “tapar” os buracos na base da história. Mas fora isso, nada demais.

                Bem… Looper é um bom filme. Ele é bem escrito e dirigido até. O visual dos protagonistas foi algo que achei bacana também (deixaram os personagens com traços aparentemente iguais). Assistam e comentem o que acharam do filme!

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