Nerawareta Gakuen ~A Natureza que Conecta as Pessoas~

 

Caros leitores, desculpe-me por não ter postado semana passada (domingo). Por motivos de problemas tecnológicos (problemas no computador), não consegui ter acesso aos arquivos da reviews… No entanto, o PC voltou e trago a vocês mais uma review!

2323Nerawareta Gakuen (A Escola Destinada) é um romance de 1973 escrito por Taku Mayumura. O romance teve, ao todo, oito adaptações: quatro doramas (dramas) em 1977, 1982, 1987 e 1997; dois filmes live action produzidos em 1981 e 1997 respectivamente; um  com dois volumes; uma adaptação para anime no ano de 2012. Esta review será focada na adaptação animada. O anime de Nerawareta Gakuen (The Targeted School) foi dirigido por Ryousuke Nakamura por meio do estúdio Sunrise.

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Apelo para a Mayuyu (risos)

A história deste filme aborda a relação do quarteto de personagens formado por Kenji Seki (CV Yuutaro Honjou), Ryouichi Kyougoku (CV Daisuke Ono), Kohori Harukawa (CV Kana Hanazawa) e Natsuki Suzuura (CV Mayu Watanabe) em um slice of life escolar.

Esta trama, desenvolve-se a partir da missão de Ryouichi –o misterioso estudante transferido- em reunir o maior número possível de estudantes paranormais para atingir seus objetivos. Paralelo a isso, temos o curioso caso do conselho estudantil estudando a possibilidade de banir o uso dos celulares na escola. É neste universo confuso que o enredo de Nerawareta Gakuen nasce, cresce e morre [tentei inserir uma frase efeito pra sinopse ter um final cool (risos)].

Bem… o meu primeiro comentário sobre este filme, por incrível que pareça, não é sobre a história, produção técnica ou a sua crítica, e sim, o título popular nas terras norte-americanas (ou australianas). O título original, embora não faça alusão à crítica do filme e nem nada do tipo, ele indica que toda a história irá se passar em uma determinada escola. E essa escola, será o cenário principal da história onde a relação de todos conecta-se. Porém, o título em inglês que popularizou-se foi Psychic School Wars (traduzindo, ficaria algo perto de “Escola das Guerras Paranormais” ou “Guerras entre Escolas Paranormais”) passa um ar de battle shounen ao filme. Acredito que o motivo dessa mudança radical no título tenha sido para chamar mais atenção, no entanto, ao fazer isso, distorceu completamente o sentido da história. Mas deixando esses detalhes de lado, vamos ao que realmente importa!

87947541A produção técnica de Newareta Gakuen é algo realmente muito bonito. Possui uma animação bonita e funcional, belos cenários e uma agradável trilha sonora. Ryousuke soube trabalhar muito bem na animação, principalmente na questão dos efeitos luminosos. Todas aquelas luzes fortes e ofuscantes deixaram serviram para causar um impacto aos nossos olhos e deixar os cenários mais agradáveis. Em dados momentos, os efeitos luminosos conseguiam criar, por si só, “momentos”. Ou seja, as luzes conseguiram criar o seu próprio cenário. Se os efeitos luminosos não bastassem, temos a beleza dos cenários. Os quadros, compostos por sua maioria, de pintura a óleo e, em pequenas proporções, de cores pastel, foi outro fator que contribui para o impacto. As cores conseguiram “passar” sensações combinando com o que estava acontecendo em determinadas cenas. Os efeitos luminosos juntamente com a paleta de cores conseguiram distinguir os cenários “normais” dos “sobrenaturais”. Podemos resumir toda esta descrição em uma única palavra: exagero. Porém, isso não chega a ser um problema. O único problema que tive com este exagero foram as cenas das piruetas, saltos e tapas de Natsuki. Basicamente, todas as cenas em que a Natsuki estava que envolviam ação/movimento, achei bem exageradas (risos).

A animação e a arte não são as únicas coisas boas na parte técnica neste anime. A trilha sonora não fica nada atrás. O diretor de som conseguiu fazer uma composição de música erudita e música pop, ambas com a mesma funcionalidade. Por parte da composição erudita, temos a presença do belíssimo piano de Claude Debussy em Clair de Lune, uma música muito presente em outros filmes. Já a presença por parte da música pop, temos a presença da banda Supercell (com Giniro Hikousen) e a Mayu Watanabe (com Sayonara no Hashi), solista e membro do AKB48. Ambos os sons, conseguem combinar com o ambiente do filme e suavizar a obra. Podemos notar também as semelhanças entre as músicas escolhidas: ambas são calmas.

A história de Nerawareta Gakuen pode parecer confusa e ela realmente é. O universo deste filme ele nos apresenta várias coisas: romance escolar envolvendo triângulo amoroso, conflito entre alunos e conselho estudantil, relações intrapessoais, poderes psíquicos e a suposta extinção da humanidade. No entanto, tudo isso acaba convergindo em um único ponto, a crítica que o filme quer fazer. Mas o principal problema nisso é a quantidade de coisas apresentadas.

A grande proposta que a trama do filme traz é a influência das tecnologias na comunicação12 direta das pessoas. O filme toda hora insiste na questão da conexão e ele mostra isso através dos diálogos dos personagens e, até mesmo, da própria animação e cenários. Por parte dos cenários podemos citar os vários passeios de trem que ocorrem durante as amostragens dos cenários e as mudanças de cenas. Nesses casos, o trem estaria representando a conexão entre as pessoas daquela cidade e escola. Outro exemplo envolvendo os cenários seria o contato com os elementos da natureza (as bolhas e as pétalas de cerejeira).

15Os personagens, obviamente, também representam isso. A representação por personagem mais clara seria a da Kahori. Embora a cena dela comentar sobre a morte do pai e o medo da mãe pelo mar tenha morrido ali naquele momento, aquilo representou a conexão entre ela e o seu pai. A relação entre o protagonista, Keiji, e o seu par romântico, Natsuki, estariam representando a falha de comunicação entre as pessoas. Percebemos isso pelo fato de ela não conseguir se confessar e ele de não entender os sentimentos dela; o Kenji pedindo para ela usar o celular; o telefone de copos deles com o fio cortado. Para finalizar a representação através dos personagens, podemos citar a relação entre o trio: Kenji-Ryouichi-Natsuki. Essa, por sinal, é a representação mais complicada de se entender. A conexão deles é mostrada através das viagens no tempo ocorridas e da mudança do objetivo de Ryouichi. Outras formas de representação estão presentes nos diálogos dos personagens. O diálogo sobre sentir ou não o vento e o clube de teatro são bons exemplos disso.

O filme também representa a conexão através dos poderes psíquicos e da suposta migração da humanidade para a lua. Dentre os poderes apresentados, o que mais se destaca é o da telepatia que representaria um meio alternativo a comunicação direta entre as pessoas. Já a história da suposta extinção da humanidade no futuro e da migração para a lua, isso estaria representando o isolamento social das pessoas. Até mesmo, o suposto eclipse que ocorre poderia estar representando uma suposta falha de comunicação.

Como percebemos, o filme ele faz várias representações, algumas fáceis de perceber outras nem tanto, para passar a sua crítica: os efeitos das tecnologias na comunicação das pessoas. O motivo de a história utilizar o celular é que uma ferramenta que a maioria das pessoas usa e abusa e é um meio de comunicação que, exagerando um pouco que nem Nerawareta Gakuen, praticamente está substituindo aos poucos a comunicação direta entre as pessoas. Eles até chegam a citar o Twitter que é uma das redes sociais mais utilizadas no Japão pelo fato de favorecer o anonimato, como exemplo de que as redes sociais é o principal causador disso. A trama também aborda o problema do isolamento social (a pessoa abrir mão do convívio pessoal em troca do “convívio digital”) e o problema do uso do celular em sala de aula. A própria proposta da telepatia chega a ser tratada com ironia: “como não podemos conversar com a boca por causa do celular, vamos conversar com as nossas próprias mentes”.

Bem… Nerawareta Gakuen é um bom filme com uma excelente ideia, porém, poderia ter sido mais bem elaborado. O filme colocou tanta coisa que isso recheou demais aquele universo e deixou o seu final confuso fazendo-nos questionar se aquilo tudo apresentado realmente era necessário. O principal problema desse filme é o excesso de informação que ele contém e tenta passar. Tiveram algumas cenas de fanservice, mas isso não chegou a ser um problema. O filme possui um ritmo meio lento, mas aceitável. Posso dizer que gostei deste filme. O que mais me chamou a atenção, justamente, foi a sua animação e trilha sonora. Mas não estou dizendo que não gostei da proposta, muito pelo contrário, achei a intenção interessante, mas poderia ter sido melhor executada.

 Está review ficou mais longa do que eu esperava… e se ela ficou confusa, bem… foi proposital para combinar com Nerawareta Gakuen (risos). Assistam este anime, caso não tenham assistido, e comentem se vocês acharam que eu viajei demais ou encontraram alguma outra representação. Espero que tenham gostado!

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