Ookami Shoujo to Kuro Ouji ~Um “Masoquístico” Romance~

“Para o cardápio de hoje,
vós trago uma dose de
álcool etílico puro
acompanhado com
petiscos de pimenta”

              Ookami Shoujo to Kuro Ouji (A Garota Lobo e o Príncipe Negro) é um anime de 2014 do estúdio TYO Animations e dirigido por Kasai Kenichi. O anime é uma adaptação do mangá original de mesmo nome, escrito e desenhado pela autora Hatta Ayuko. Ookami Shoujo to Kuro Ouji (Wolf Girl & Black Prince) conta a história de Erika Shinohara (CV Kanae Itou), uma estudante colegial, que está começando o ensino médio. Para evitar que Erika fique sozinha em sua classe, ela resolve mentir para duas colegas a fim de criar laços de amizade com ela. A protagonista mentiu que tem um namorado, porém, mal ela sabia que Kyouya Sata (CV Takahiro Sakurai) estudava na mesma escola que ela; para complicar a situação, Kyouya é um sádico e frio. A partir disso, Erika se vê em um grande problema em ter que carregar a mentira e aguentar as ordens de seu “falso namorado”, em meio à descoberta de um amor masoquista.

                Bem… 50 Tons de Gurei Cinza, quer dizer, Ookami Shoujo to Kuro Ouji, como vocês, leitores, perceberam pela sinopse, é um romance escolar que conta, também, com uma pitada de comédia. Resolvi assistir este anime por dois motivos: o primeiro, é que a sinopse me chamou a atenção, pelo fato de já mostrar uma consequência pela ação da protagonista; segundo; uma amiga me recomendou assistir para assistirmos o live action [o que não deve interessar muito a vocês saber disso (risos)]. Ookami Shoujo é uma comédia romântica bem mediana com problemas na sua proposta (o romance, em si).

 8 O primeiro problema nesse romance é o par romântico. Isso deixa uma situação bem desconfortável para a história. Uma síntese da relação dos dois personagens: ela quer fazer algo, ele nega, ela insiste, ele nega de novo, Kyouya ordena Erika, ela chora e o sádico fica satisfeito. Isso é o que vai ocorrendo ao longo do anime. Como percebemos, a relação deles é algo bem monótona e passa um ar de uma série de tokusatsu. Se as séries de tokusatsu têm o monstro da semana, esse anime tem o “maltrato” da semana (risos).

            4  Porém, a parte monótona não é o grande problema, e sim, o fato de ela gostar dele. Tirando o fato de o Kyouya ser tratado como um garoto bonito, atraente e objeto de desejo das estudantes, não existe outro motivo de ela se interessar por ele. Até seria  plausível se a personagem se reconhecesse como uma pessoa masoquista. Isso seria bem interessante, pois iria causar um choque na personagem e novas descobertas. Mas, infelizmente, a história não toma esse rumo.

7
Pensei que a partir disso, a história iria tomar um outro rumo, mas me enganei…

Para entendermos melhor esse romance problemático e sem sentido podemos dividi-lo em dois momentos: a relação deles antes e depois do “tapa”, cena em que a protagonista joga água na cara dele.

A primeira metade, basicamente, era o Kyouya maltratando e agindo de forma fria com ela e a Erika gostando disso. O problema nessa primeira parte é as ações da protagonista. Além de não sabermos o motivo de ela gostar dele, ela rejeita um garoto que gostava dela e era extremamente legal com a mesma. Se formos comparar o nível de gentileza de Kyouya nessa primeira parte com o Kusakabe (CV Ayume Murase), Kusakabe tem muita vantagem, mesmo o “Príncipe” agindo de forma “legal” em uns momentos.  Após o momento de a protagonista ter se revoltado com ele, isso acabou chocando-o, o que serviu para desenvolver Kyouya de forma bem rasa.

Na segunda metade, temos a continuação do romance dele e, além de Kyouya tentar agir de forma legal com Erika, um possível motivo do “Príncipe Sádico” agir daquela forma. Se por um lado a história pecou em não ter explicado o motivo de a personagem principal gostar dele, aqui, a história pecou em ter explicado. O “grande” motivo que explicou isso foi algo bem fútil: o divórcio de seus pais. Isso seria algo bacana, caso tivessem mostrado a relação dele com os pais para dar importância à formação do personagem e não ter sido apresentado no último episódio da série. Como percebemos o principal problema nessa história, é o casal. No entanto, diferentemente da primeira parte, a segunda consegue passar uma experiência um tanto quanto agradável para o telespectador.

13Após o “tapa”, Kyouya ele começa a tentar agir de forma legal e isso, por incrível que pareça, foi a melhor coisa que teve nesse anime claro, depois da abertura e encerramento. E isso, afeta diretamente a comédia do anime, pois as piadas passam a ser mais como uma quebra de expectativas.

Bem… mesmo com os seus problemas, Ookami Shoujo consegue ser um anime até que… agradável de se assistir. Eu, estranhamente achei legal esse anime (espero não ser masoquista que nem a protagonista). Provavelmente, se esse levasse as piadas ao absurdo teria sido uma experiência melhor. Ou não… Para muitos, esse romance romântico pode causar desconforto (como, de fato, aconteceu). No entanto, ele também pode ser algo para matar o tempo. Comente aí, a sua experiência ao assistir Ookami Shoujo!

16
Bem… só quero ver como vai ser o live action
Anúncios

4 comentários em “Ookami Shoujo to Kuro Ouji ~Um “Masoquístico” Romance~

  1. Desconforto define. São tristemente comuns essas histórias de romance para garotas onde a protagonista suporta todo tipo de sofrimento, maltrato ou humilhação para com o poder do amor “consertar” o garoto quebrado psicologicamente que ela ama. Ookami Shoujo só leva isso a um extremo em que é difícil ignorar o que está acontecendo, ao contrário, por exemplo, de Aoharaido, no qual o casal de protagonistas teve um início de relacionamento saudável anos atrás e ao voltar (e começar a história do mangá/anime em si) ele está mudado mas não chega a maltratá-la tanto quanto o Kyouya faz com a Erika em Ookami Shoujo. Aoharaido é mais explicado, o moleque não é tão cruel, mas … no fundo é a mesma coisa. E tem muita história que é assim por aí.

    Talvez as garotas japonesas gostem de ler esse tipo de história? É a única explicação possível. Hana Yori Dango, o maior sucesso na história do shoujo, é assim também, mas nele o humor tem um papel mais central na história além de todo o resto ser muito absurdo, muito hiperbólico para ser levado à sério (para você ter ideia logo nos primeiros capítulos a heroína é quase estuprada na escola, quase jogada do alto do prédio, e é arrastada por um carro: é impossível levar a sério!). Assim, eu gosto de Hana Yori Dango, é uma história muito boa, muito divertida, mas esses que ficam no meio do caminho como Ookami Shoujo ou os que tentam ser sinceramente românticos como Aoharaido não conseguem despertar mais do que desconforto em mim.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Exatamente isso! Se não me engano, a protagonista, ela até chegar a pensar/dizer que queria tentar mudar ele. No fim, ele acaba ficando menos babaca com ela. Meus problemas com o romance deles foram: o motivo dela gostar dele não ficou muito claro; a justificativa dele agir assim, tipo, foi algo feito “nas coxas”… só para dizer que tem uma desculpa pra ele ser assim.
      Você levantou uma cosia interessante: as garotas gostaram de ler esse tipo de coisa. Até onde eu sei, generalizando bastante agora, as mulheres japonesas gostam de homens mais “selvagens” que chegam, ao ponto, de fazer pouco caso ou, como em Ookami Shoujo, maltratá-las. Pelo que encontrei, o motivo de isso acontecer, parece que é pelo fato de os homens lá não chegarem muito nas mulheres, não terem muita iniciativa. Ou, até mesmo, pelo fato de serem gentis demais. Esse foi um ponto interessante de citar.
      Essa outra história que tu citou, Hana Yori Dango, é o ponto que Ookami Shoujo deveria ter alcançado. Levado a comédia ao absurdo. Talvez, se isso acontecesse, o público não teria ficado muito desconfortável com o “machismo” do par romântico da protagonista.

      Curtir

      1. Hana Yori Dango é super divertido! Ah, e tem outro fator: a protagonista não se apaixona pelo valentão escroto. Ele é que se apaixona por ela e tem que lutar pra conquistá-la. Ela estava inicialmente apaixonada por outro cara, mais normal e definitivamente legal.

        Curtir

      2. E outra coisa: mesmo se for para ter um garoto possessivo/dominante, dá para ter um assim que não tenha problemas psicológicos na infância e que não ultrapasse limites que a civilização considera violência física ou moral. Dá para fazer um anime como Maid-sama, por exemplo. O cara é completamente saudável, e ele vive zombando da garota, mas tudo dentro da normalidade ainda que uma situação ou outra possa parecer mais forçada.

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s